Há dias assim, em que acordo presa a um corpo de 80 anos. Há dias em que o Inverno assusta e a chuva mais que nostalgia traz dor. Há dias em que olho para as minhas mãos e as vejo em dobro, em que os dedos outrora finos se expandem até ao limite. Há dias em que as pernas teimam em não obedecer e aos pés chegam pequenas bolas para que não me esqueça que andas sempre aí. Há dias assim, em que ninguém me convence que meu corpo não foi comprado em segunda mão.
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